O preço dos combustíveis está em valores que batem recordes semana após semana. Na última semana achei curioso ouvir nas notícias que as temperaturas iam subir dez graus, a gasolina oito e o gasóleo nove, cêntimos! Curiosa combinação! Desde o início do conflito no Médio Oriente o gasóleo já subiu cerca de sessenta cêntimos e a gasolina quarenta. (Se continua assim, o país vai ao charco.)
Perante o aumento do consumo deste bem que começa a ser cada vez mais escasso, a Ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, veio apelar à poupança dos portugueses e ao uso de transportes públicos. Ora aqui está uma boa ideia, nem sei como é que as empresas de distribuição ainda não se lembraram disso! Podiam dispensar os camiões e enviar as mercadorias de autocarro. Um absurdo. Obviamente que todos aqueles que têm a possibilidade de usar transportes públicos o fazem, pois não têm sequer escolha, andar de transporte próprio para muitos portugueses é absolutamente impossível. E muitos deles até têm viatura própria, mas fica-lhes dez vezes mais barato andar de autocarro. (Obviamente que esta opção é apenas possível para quem vive nos grandes centros urbanos, em grande parte do país a oferta de transportes públicos é irrelevante). O governo afirma semana após semana não estar a lucrar nada com o aumento dos preços, e vai minimizando o aumento dos preços com os ajustes no Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos. Ainda assim, Portugal continua a ser um dos países com os combustíveis mais caros e onde os impostos sobre os mesmos são os mais altos.
Concordo com a Senhora Ministra do Ambiente quando ela diz que não podemos colocar em risco as contas públicas, mas não me parece que possa caraterizar como fortes apoios os que estão a ser dados a alguns setores como a agricultura, a pesca e os transportes públicos e de mercadorias, e também aos bombeiros. Na verdade, o único apoio existente chega a todos por igual, e para quem está atento ao preço do cabaz alimentar, verifica que ele não para de aumentar, semana após semana. Entretanto, está prevista a visita a Portugal do Ministro da Argélia responsável pelo setor dos combustíveis e o governo aguarda as eleições no Brasil para retomar ligações económicas neste setor. A culpa não é só de Portugal, toda a Europa viveu demasiado tempo ajoelhada à Rússia e aos Estados Unidos da América. Talvez já seja tarde demais para perceberem que essa dependência era tudo o que eles queriam. Fiquemos com o conselho: Sejamos poupados. E será que é só nos combustíveis que os portugueses devem ser poupados?
Na educação já se começou a poupar no número de turmas. Depois de se saber que havia centenas de alunos sem turma, o governo decide o problema numa reunião à noite: aumentem-se as turmas até trinta alunos. (Apetecia-me sugerir que aumentassem até quarenta alunos, acabava de uma vez por todas a falta de professores). O senhor Ministro da Educação já veio afirmar que “até aos trinta alunos não há evidência de que isso seja mau para a qualidade do ensino”. Obviamente que não! Imagine-se uma turma com vinte alunos, numa aula de cinquenta minutos o professor consegue dar uma atenção individualizada de mais de dois minutos a cada aluno. Se a turma tiver trinta, ou até quarenta a coisa é quase a mesma (é fazer as contas, como dizia António Guterres!). Na verdade, eu sei que o Sr. Ministro da Educação sabe o que se passa nas salas de aula do ensino público (a escola dos pobres como eu gosto de dizer)! Eu tenho turmas de trinta alunos, tenho sempre alguns alunos que aprendem tudo à primeira, podem ser ignorados porque safam-se sozinhos, depois há mais alguns que por mais esforço que o Professor faça, não querem saber daquilo para nada, há ainda um ou dois por turma que só aparecem de dois em dois meses para que a escola lhes passe o papel da matrícula e não percam o abono de família, restam dez ou doze que se vão esforçando e valendo o esforço diário de ensinar a quem quer aprender. (Estarei a ser irónico? Quem o quiser comprovar pode vir assistir ao trabalho dos professores no dia-a-dia, muitas vezes em condições inaceitáveis para um país como Portugal, em pleno século XXI).
E como estamos em maré de poupança, a crónica fica por aqui!
Crónica publicada na edição 532 do Notícias de Coura, 29 de setembro de 2026

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