terça-feira, 17 de março de 2026

Já falta pouco para ganhar o Nobel da paz.

E de repente, os Estados Unidos da América decidem começar mais uma guerra. Bombardear uma escola no sul do Irão e matar dezenas de estudantes parece ter sido a melhor opção para lutar contra um regime que, segundo Donald Trump, é um perigo nuclear para a América. Alguém devia lembrar o presidente americano que a Coreia do Norte também é uma potência nuclear e a distância para os Estados Unidos até chega a ser menor que para o Irão. Bombardear uma escola pode ter a justificação de ser um dos locais onde se escondem os túneis de acesso do Hamas, esse perigoso grupo terrorista tão ameaçador para a América. Acho que estou a fazer confusão, o Hamas é aquele grupo que ameaça o Estado-amigo da América, Israel, cujo líder, Benjamim Netanyahu, já afirmou que este ataque visa travar o “regime de terror” do Irão, e garante que está disposto a prolongar a guerra o tempo necessário para eliminar uma “ameaça existencial representada pelo regime do Irão”.

O líder supremo do Irão morreu, o aiatola Ali Khamenei foi morto num ataque aéreo americano e israelita, juntamente com a filha, o neto, a nora e o genro. Algum povo, tanto no Irão como noutras partes do mundo, rejubilou com a morte do líder, mas acreditar que isto representará uma transição para uma democracia parece-me esperança a mais. Será mais um capítulo de violência e disputa pela soberania do país.

Sobre a justificação de ser um regime teocrático, a Arábia Saudita também o é. Por que será que os Estados Unidos da América não pensam também em libertar o povo!? Falta ainda referir a urgência em atacar o Irão num altura em que decorriam negociações e onde o Irão já tinha aceitado a condição imposta por Donald Trump de não produzir armas nucleares. Trump e Netanyahu não podiam perder a oportunidade de aniquilar Khamenei. Donald Trump quer controlar o Médio Oriente e atacando o Irão fragiliza também a Rússia e a China. Com tudo isto, já ninguém fala de Nicolas Maduro, da Gronelândia e do caso Epstein, o caso onde Trump tem a desfaçatez de afirmar ser o único inocente, apesar das dezenas de imagens e vídeos que provam provavelmente o contrário. Que ele manda na América está visto, que quer mandar no mundo é uma evidência. Deste lado do atlântico, os “fracos” líderes europeus pouco ou nada dizem ou fazem. Só falta mesmo atribuir-lhe o Prémio Nobel da Paz.

Por terras de Portugal o assunto veio fazer esquecer a crise provocada pelo temporal que arrasou a zona de Leiria e inundou a zona de Alcácer do Sal, e nem Passos Coelho conseguiu ser manchete mais do que dois dias nas televisões, depois das suas declarações terem incendiado o PSD. Não se percebe este aparecimento de Passos Coelho, criticando o governo por ser pouco reformista e dizendo que o mesmo devia ter feito um acordo de legislatura com o Chega e a Iniciativa Liberal. Será que Passos está à beira de ficar desempregado e quer voltar à política!? Ele sabe que tem muitos seguidores desejosos do seu regresso e um deles até é o líder da oposição, mas pensar que poderia voltar agora parece-me um disparate. A menos que algum parágrafo da Procuradoria-Geral da República pudesse fazer Montenegro demitir-se, como em tempos aconteceu a António Costa.

O PCP já veio condenar o ataque e insistir para que o governo tome uma posição sobre o mesmo e impeça os Estados Unidos da América de usar a Base das Lajes nos Açores. Servisse a Base das Lajes para apoiar os amigos Russos contra os malfeitores dos Ucranianos, e a posição do PCP seria evidentemente oposta.

Com a guerra, até Marcelo Rebelo de Sousa e António José Seguro ficaram esquecidos. Em condições normais todas as televisões andariam com Marcelo nesta última semana em funções, nos últimos abraços e beijinhos do Presidente do povo. Quanto a António José Seguro, discreto como é, deve estar a agradecer terem-se esquecido dele, mas obviamente que continua a trabalhar na sua futura missão. Alguém não se esqueça de lhe lembrar que no dia 9 toma posse como Presidente da República!


Crónica publicada na edição 520 do Notícias de Coura, 10 de março de 2026




terça-feira, 3 de março de 2026

Vou já despachar esta crónica!

Aproxima-se a semana de interrupção letiva do Carnaval. Embora sendo só três dias de “folga”, queria ver se os juntava ao fim-de-semana anterior para ficar sem compromissos profissionais nenhuns. As aulas já estão preparadas até ao dia vinte de fevereiro sendo que a única obrigação que se aproxima para esses dias é escrever a próxima crónica do Notícias de Coura. Pela segunda vez desde 2012, vou escrever uma crónica ainda antes de receber o jornal com a anterior! Hoje é domingo, dia da segunda volta das eleições presidenciais. Como já votei antecipadamente hoje nem preciso de sair de casa, aproveito para fazer algumas arrumações (entenda-se arrumar uns milhares de fotografias que tenho para aqui espalhadas em cartões de memória, pen’s e discos externos, esta modernice dos telemóveis tirarem fotografias é uma grande chatice!) Estou nisto desde as oito da manhã, já me começa a doer a cabeça e, portanto, é altura de fazer uma pausa. Vamos lá escrever umas seiscentas ou setecentas palavras!

O país sofreu na última semana algo inimaginável, a região de Leiria parece um cenário de guerra e aqui pela minha zona o Rio Tejo triplicou de tamanho. Apesar de termos recebido algumas mensagens de alerta, o país não estava preparado para isto. Não estava nem vai estar, pois como infelizmente se ouviu de Maria Lúcia Amaral, Ministra da Administração interna, “Estamos todos a aprender.” Lamentável. Os governantes não são eleitos para aprender, são eleitos para tomar decisões. Para variar, vão ser criadas equipas e grupos de trabalho, vai-se facilitar o acesso a apoios, há imenso dinheiro a precisar de poucos papéis para ser distribuído, daqui a uns tempos volta a acontecer o mesmo e vão-se descobrir alguns oportunistas que de certeza vão aproveitar as cheias para reconstruir as casas de férias. Foi assim com os incêndios, vai ser assim com as cheias, é uma coisa portuguesa. O país precisava mesmo de um abanão, infelizmente o único que anda por aí a tentar vestir o fato de salvador da pátria e a prometer acabar com o “sistema”, é um populista cujo discurso só serve mesmo para conversa de café.

Faltam pouco mais de quatro horas para fecharem as urnas, e embora haja algumas freguesias que só vão às urnas na próxima semana e a abstenção possa voltar a ter valores elevados, o próximo Presidente da República vai ser António José Seguro. Pode não ter entusiasmado até agora nos discursos ou nas propostas, mas demonstrou ter postura de chefe de estado. Seguro foi uma surpresa na primeira volta, quem sabe não virá a ser um boa surpresa no Palácio de Belém. Sobre as eleições não há muito a acrescentar, a única coisa que me deixa curioso é saber quais serão os argumentos de vitória do discurso de vitória de André Ventura, que provavelmente irá à missa pelas dezanove horas. Independentemente da sua percentagem, não pode haver segundas leituras, mesmo que tenha mais de trinta por cento dos votos não se pode arrogar no direito de querer obrigar o governo a fazer o que ele quer. Vai tentar, e somos bem capazes de ter eleições legislativas antecipadas lá para 2027. (Por momentos tive uma visão de futuro: André Ventura a ganhar as eleições, mas António José Seguro a não lhe dar posse por não garantir condições de estabilidade na Assembleia da República. Tinha uma certa piada!)

Deixemos a política nacional. Vamos dar um salto à América. Na última semana Donald Trump partilhou um vídeo de Barack e Michelle Obama retratados como macacos. Pouco depois, a Casa Branca retirou o vídeo afirmando tratar-se de um erro de um funcionário. Em qualquer país civilizado o funcionário seria imediatamente despedido. Na América não. Provavelmente pelo facto de o funcionário ser o Presidente e de ter afirmado posteriormente que não pretende pedir desculpas. Gostava de terminar esta crónica antecipada com a ideia daquilo que poderá ser a próxima, mas é melhor não me antecipar àquilo que agora é costume chamar-se “a espuma dos dias”. Vamos esperar que as próximas semanas sejam de acalmia, política e meteorológica.


Crónica publicada na edição 519 do Notícias de Coura, 24 de fevereiro de 2026



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

E para enfermeira? Será que dá?

Vem este título a propósito das avaliações de alguns alunos que estão agora no 10.º ano e chegam ao final do 1.º semestre com seis valores a Matemática, Biologia e Físico-Química. Terem escolhido a área de Ciências e Tecnologias parece ter sido uma má aposta. Uma das crianças, alertada por uma Professora para a gravidade da situação, desabafou que escolheu esta área pois queria ser Médica. “Assim nunca vais conseguir”, explicou a Professora fazendo-lhe notar que estas disciplinas são as específicas, as essenciais para Medicina, pois serão provavelmente aquelas cujas notas de exame serão decisivas para a determinação da média necessária para Medicina. Triste e pensativa terá questionado: “E para enfermeira Stôra? Será que dá?”

Não se trata aqui de uma menorização da profissão, naturalmente que a área da saúde é por certo aquela que lhe agrada, ou então aquela que os Pais acham que ela deve seguir. Mas que isto acontece é certo, quando não entram em Medicina alguns alunos tentam Medicina Veterinária, ou Medicina Dentária, ou Enfermagem. São escolhas, infelizmente não devia ser assim. Ainda me lembro bem de ver uma aluna brilhante que tive em Coura chegar ao final do 12.º ano com uma média de 18 ou 19 e a escolha dela ser Direito! Pois se era o que ela ambicionava, qual a admiração? Dizia um colega meu na altura: “Um desperdício, ter esta média e não ir para Medicina!” Uma idiotice respondi-lhe eu. Desperdício é o curso de Medicina não ter tantas vagas quantos médicos precisamos e pior ainda, quantos alunos se calhar davam excelentes médicos e por uma ou duas décimas não o são. Idiotice é serem muitas vezes os Pais a pressionar os excelentes alunos a ir para Medicina. Têm o futuro garantido é certo, um curso longo e muito trabalhoso, mas boas oportunidades de carreira. Mas valerá a pena tamanho esforço? Especialmente se essa não for a sua vocação?

Não me canso de partilhar com alguns dos meus alunos a minha própria experiência. Licenciei-me em Gestão e nunca pensei nessa altura vir a ser professor. Cheguei mesmo a dizer que “Era o que faltava ir aturar crianças!” Mas o futuro quis que assim acontecesse, e depois de terminar o primeiro dia como professor senti que era aquilo que gostava e que queria fazer o resto da vida. Não foi um percurso fácil. Entre horários incompletos, dois anos (inesquecíveis) a trabalhar nos Açores, o desespero dos miniconcursos do mês de setembro sem nunca saber onde seria colocado, a tristeza de ir para a fila do Centro de Emprego, a esperança só surgiu quando resolvi tirar outra licenciatura para estabilizar em definitivo.

Muitos dos atuais Professores não sabem o que isso é, quantos e quantos ficam efetivos logo no primeiro ano em que concorrem. E ainda bem! Podem passar as férias descansados pois em setembro têm emprego. (Embora circulem pelas redes sociais algumas notícias alarmantes sobre a estabilidade do corpo docente!)

Aprendi na Universidade que há algumas áreas onde o emprego é garantido, a alimentação, pois todos temos de comer e beber, a saúde, todos nós temos de fazer exames e tomar medicamentos ao longo da vida, e a morte, pois até à data dela ninguém se livrou. Ser professor é também atualmente uma boa aposta, a classe docente está envelhecida de tal forma, que nos próximos cinco anos irão para a reforma mais de vinte mil professores. Não se tem um ordenado deslumbrante e, dependendo da escola, viverão inundados em papéis, terão de se irritar algumas vezes com a indisciplina e mais tarde ou mais cedo irão aprender que o importante é o sucesso educativo (isto é, os alunos não reprovarem, aprenderem fica para segundo plano). Se se arrependerem pensem duas vezes antes de abandonar a carreira, é que a experiência de Professor só serve mesmo para dar aulas ou explicações, nada mais! Não acreditem quando virem notícias de que cada vez mais Professores pensam em abandonar a carreira, ando cá desde 1998 e só me lembro de um caso. A malta fala mal disto, mas ninguém se vai embora!


Crónica publicada na edição 518 do Notícias de Coura, 10 de fevereiro de 2026





terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Segunda volta

Depois de mais de um ano de campanha eleitoral para as eleições presidenciais, vamos ter, tal como era previsível, mais três semanas de espera.

Quando em novembro de 2024 Pedro Nuno Santos afirmava que António José Seguro era “um grande quadro do Partido Socialista e que os militantes do PS tinham muito apreço por ele”, estava longe de imaginar que isso seria o gatilho que faria despertar nele a vontade de avançar. António José Seguro viu nas palavras do ex-líder do partido um “descuido” que não poderia deixar de aproveitar, mais do que vontade de ser Presidente da República, tinha a oportunidade de colocar o partido entre a espada e a parede, depois da maldade que António Costa lhe tinha feito em 2014. E se bem o pensou, melhor o fez. O PS tardou a declarar-lhe o apoio, ainda assim, acredito mesmo que muitos dos militantes fizeram já na primeira volta aquilo que os comunistas fizeram em 1986 com Mário Soares, taparam os olhos e colocaram a cruz em Seguro. E de repente, António José Seguro que se candidatou para fazer pirraça ao PS, vai ser Presidente da República. Embora sem ter feito uma campanha entusiasmante, foi de longe a mais séria e à altura daquilo que deve a postura do mais alto magistrado da nação.

André Ventura, aquele que aparecia como vencedor em quase todas as sondagens, fica-se pelo segundo lugar. Disputar a segunda volta é um grande feito para um candidato de um partido que nasceu há pouco mais de seis anos. Já se autoproclamou líder da direita, e vai decerto passar estas três semanas a “berrar” pelos votos da direita. Já começou por dizer que Seguro representa o regresso de José Sócrates, António Costa e Eduardo Ferro Rodrigues. E como não acredito que nem a IL nem a AD lhe declarem apoio, não demorará muito a despir o fato de moderado que vestiu nas últimas duas semanas e a utilizar argumentos baixos na campanha eleitoral. Ou Luís Montenegro suaviza a sua governação, ou vai ter a vida muito difícil na Assembleia da República.

Gouveia e Melo partia como o favorito, numa corrida que se anunciava praticamente como decidida. Correu mal, bastante mal. Para quem se anunciava como “fora dos partidos”, tinha gente a mais dos partidos à sua volta.

Marques Mendes teve um resultado desastroso. Passou os últimos dez anos como comentador político nas noites de domingo, substituindo o anterior comentador, Marcelo Rebelo de Sousa. Desta vez a televisão não conseguiu produzir outro Presidente da República.

João Cotrim de Figueiredo fez uma campanha que espelha bem aquilo que o país gosta, confusão e mexerico. Lançou suspeitas sobre Marques Mendes, colocou-o à luta com Gouveia e Melo e saiu de fininho. Rodeado de jovens quase chegava à segunda volta, tropeçou na última semana quando achou que devia piscar o olho ao eleitorado do Chega e reclamar o apoio da AD, sugerindo a Luís Montenegro que apoiasse a sua candidatura. Este apelo ao voto útil acabou por ajudar ainda mais António José Seguro. Quando é necessário sacrificar os ideias e votar de forma útil, a esquerda nunca falha.

Por fim, Manuel João Vieira! O candidato que só desistia se ganhasse e que prometia vinho canalizado em todas as casas, obteve mais de sessenta mil votos ficando à frente do candidato oficial do Livre, Jorge Pinto. Foi destaque no jornal britânico The Gaurdian onde terminava dizendo “Se as pessoas querem apostar no absurdo, que apostem pelo menos no absurdo e no surrealismo dos seus sonhos e desejos. Isso é das coisas mais honestas que existem”.


Crónica publicada na edição 517 do Notícias de Coura, 27 de janeiro de 2026



segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Rescaldo de 2025

Chegou ao fim mais um ano. Nesta altura não é difícil arranjar tema para a minha crónica, basta selecionar meia dúzia de assuntos do ano que passou e tecer umas considerações genéricas. Podia também dedicar-me a enumerar alguns desejos ou previsões para o novo ano que agora começa, mas atualmente, já nem os habituais Zandigas* têm capacidade de adivinhar o que o futuro nos trará. Escrevo esta crónica na manhã do dia três de janeiro, acompanhando em direto em vários canais de notícias a intervenção militar dos EUA na Venezuela. Parece que Trump decidiu libertar a Venezuela do ditador Maduro. Esta sensibilidade americana já vem desde 1904, quando o Presidente Roosevelt declarava que os Estados Unidos tinham o direito de intervir nos países que tivessem “má conduta”, independentemente da sua soberania. Portugal nunca teria tido tantos anos de ditadura se estivesse localizado na América do Sul, os americanos tinham arrumado com o Salazar num instante. E se Portugal fosse rico em petróleo, então ainda teria sido mais rápido!

Vamos lá então a algumas das coisas que ficam do ano de 2025.

Trump tomou posse em janeiro. Disse que acabaria com a guerra na Ucrânia com um telefonema, não disse é que seria no primeiro telefonema. Já humilhou publicamente Volodymyr Zelensky , já recebeu Vladimir Putin com passadeira vermelha no Alasca, já enviou um comissário para a Gronelândia para tomar posse do território. É o efeito das terras raras, territórios ricos em minerais valiosos. É por elas que Trump quer a Gronelândia e Putin quer a Ucrânia. Obviamente que também pretendem proteger os seus territórios, Putin não quer estar cercado de países da Nato, Trump tem medo da cada vez maior importância da China no comércio mundial. Com tudo isto, a China segue alegremente o seu caminho! Quase parece o Salazar, que manteve Portugal neutro durante a Segunda Guerra Mundial, vendendo volfrâmio a ambas as partes.

Morreu o Papa Francisco. O Papa que veio do fim do mundo trouxe à igreja uma imagem de carinho, boa disposição e compaixão que não deixava ninguém indiferente, independentemente de religiões ou crenças, o seu bom humor e a sua humildade foram um exemplo inesquecível e marcante para a humanidade. Nunca me esqueço das palavras de Francisco a uma turista brasileira que lhe pedia para rezar por eles. Francisco ri e responde-lhe: “Vocês brasileiros não têm salvação, é muita cachaça e pouca oração!”

Boletins de voto confusos. Vamos ter eleições presidenciais em janeiro e ficámos a saber há uns dias que vão constar nos boletins de voto 14 candidatos, embora só onze tenham sido validados pelo Tribunal Constitucional. Diz a Comissão Nacional de Eleições que é um problema de prazos, não há tempo para imprimir novos boletins. Soube também agora que já em 2020 isto tinha acontecido. Nessa altura, Eduardo Batista também apareceu no boletim de voto embora só tenha conseguido 11 assinaturas. Imaginem só que se lembram desta brincadeira umas trinta ou quarenta pessoas!? Pode ser que desta vez a Assembleia da República se decida a legislar no sentido de impedir esta idiotices, dignas de um país do terceiro mundo. Se nada fizerem, e a saúde me permitir, em 2031 irão ver a minha cara nos boletins de voto!

Apagão em Portugal. Em abril Portugal ficou às escuras durante aproximadamente 10 horas. Os portugueses correram às lojas para comprar garrafões de água, as lanternas e os rádios portáteis esgotaram e muitas ruas encheram-se de crianças a brincar sem telemóveis. Sem Internet as pessoas viram-se obrigadas a fazer outras coisas, como ler, jogar às cartas e até falar umas com as outras! Foi inesquecível.

Gaza. É o genocídio do século XXI. Mais um acontecimento que devia envergonhar a raça humana. Sobre a postura de “quem acha que manda no mundo”, nem vale a pena comentar.

Um bom ano de 2026 a todos!



* Deixo esta nota às gerações mais jovens que podem nunca ter ouvido esta expressão. Zandinga foi um vidente que trabalhava para o F. C. Porto na década de 80, associado a ritos e superstições, dizia-se que enfeitiçava a relva para influenciar os jogadores, e fazia previsões que raramente se concretizavam.

Crónica publicada na edição 516 do Notícias de Coura, 13 de janeiro de 2026